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Quem está vendo?

  • Pr. Guilherme Bispo de Souza Junior
  • 8 de dez. de 2025
  • 24 min de leitura

Autor: Pastor Guilherme Bispo Souza Junior

Data: 07 de dezembro de 2025

Local: Igreja Presbiteriana Novo Horizonte (IPNH)

Série: O Evangelho de Mateus

Texto Base: Mateus 6


Assista o culto completo em nosso canal do Youtube.



Pregação Completa:

Meus irmãos, abram comigo suas Bíblias no texto de Mateus, capítulo 6. E em cada parte do culto, queridos, a gente tem uma forma de celebrar e adorar o Senhor. Nós cantamos, nós oramos, e agora, enquanto a gente ouve a Palavra, a gente precisa estar atento àquilo que vai ser dito.

Mateus, capítulo 6. Todo mundo achou?

Eu tenho estudado com os irmãos o livro de Mateus, e nessa noite eu quero tratar com os irmãos o capítulo 6. Dentro do capítulo 6 há um tema específico sobre oração, e aí eu vou deixar para tratar de forma mais específica a oração do Pai Nosso numa outra ocasião. Mas quero que você preste atenção apenas no primeiro versículo do capítulo 6, ainda que eu vá até o verso 8 e depois do 16 ao 18. Vamos lá?

"Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. Doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai, celeste."

Vamos orar de novo? Nós oramos pelas crianças e eu convido que você agora ore por você. Como eu disse, irmãos, a cada momento do culto ele tem o seu lugar, e esse é o momento onde você ouve, porque a Palavra de Deus diz que a fé vem pelo ouvir. Então é preciso que o seu coração esteja aberto. É preciso que você entenda que a Palavra é Palavra de Deus e essa Palavra precisa encontrar em nossos corações o lugar, porque é ela que nos transforma. É a Palavra que nos modifica, é ela que nos confronta e nos faz ser diferentes.

Para isso, eu convido você a que fique atento, que não cochile, que não mexa no seu celular, que não converse com quem está do seu lado, e que fique atento para que possa ouvir aquilo que o Senhor quer falar com o seu coração.

Oração Inicial: "Pai, em nome de Jesus, eu peço ao Senhor que mais uma vez, ó Deus, Tu manifestes sobre nós a Tua graça e o Teu cuidado. Que nesse instante, ó Deus, o Teu Espírito mesmo fale conosco. De fato, que eu seja apenas aquilo que de fato sou, apenas o instrumento. Mas a Palavra é Tua, e que Teu Espírito mesmo, que é o poderoso Deus, possa aplicar no coração de todos aqui essa Palavra, de modo que os corações aqui sejam encorajados, exortados, desafiados, e que assim nos aproximemos de Ti e estejamos mais perto. Assim, eu oro, rogando sobre todos nós a Tua graça em Cristo Jesus, amém?"

A Preocupação com a Opinião Alheia

Queridos, há uma preocupação hoje em boa parte das pessoas com aquilo que as outras pessoas vão pensar. Não é um fato? Há uma preocupação em boa parte das pessoas hoje com aquilo que outros vão pensar da gente. E é claro, quando as pessoas pensam assim, elas têm formas diferentes de pensar o que outros vão pensar.

Há quem se preocupe com os escândalos, com a vergonha, de modo muito especial se alguém específico vai ver os erros e as nossas falhas. Então, muitas vezes nós nos preocupamos com o que o outro pensa de maneira negativa de nos ver. Mas há também aquelas pessoas que se preocupam com aquilo que as pessoas vão pensar, porque estão preocupadas também com os elogios que querem receber com aquilo que fazem. "Será que as nossas ações vão gerar algum benefício e algum elogio da parte de alguém?".

Ou seja, normalmente nós estamos preocupados com o outro. Ou preocupado com o escândalo ou preocupado com os elogios. E uma coisa ou outra tem norteado muito os nossos corações.

Numa era, queridos, de redes sociais, que estão cada dia mais presentes em nossas vidas, nós estamos muito preocupados com aquilo que a gente publica, coloca lá, com o que alguém vai achar e alguém vai pensar. Os likes e as curtidas que a gente espera têm refletido algo que as pessoas não veem, mas que estão claramente presentes dentro dos nossos corações. De modo tal que a gente tem vivido uma realidade que talvez seja só o começo de um tempo onde talvez a gente se encontre num estado doentio, onde a opinião das pessoas se torna bastante significativa para nós.

De maneira negativa, como eu falei, preocupado de que alguém que a gente se importe muito não veja os nossos erros. Mas, por outro lado, também de que alguém que a gente se importe muito nos elogie e diga: "Nossa, como foi bom aquilo que você fez". E esse é um tempo no qual a gente vive e é algo que deve estar de maneira muito séria pensado por nós.

O que as pessoas não conseguem ver dentro de nós é talvez mais importante do que aquilo que as pessoas veem em nós. Esse é um fato o qual nós, como crentes, devemos nos preocupar. Aquilo que as pessoas não veem, aquilo que está dentro do nosso coração, as nossas intenções, talvez sejam mais importantes do que aquilo que as pessoas veem.

Ouça o que eu vou dizer, queridos: O cristianismo bíblico não está preocupado apenas com aquilo que é visto, com as ações que são notadas, mas também se preocupa com as motivações do coração. E é essa combinação que tem que permear a nossa vida cristã. O cristianismo bíblico está preocupado com aquilo que eu faço, com as ações, com as minhas atitudes; mas também está preocupado com aquilo que está dentro do meu coração, as minhas intenções e as minhas motivações.

Justiça Moral vs. Justiça Religiosa

E é sobre isso que Cristo vem tratar. Não apenas nesse texto que vamos estudar hoje, mas Ele vem tratando e olhando o texto desde o capítulo 5. Ele vem mostrar exatamente a ideia de nos convencer de que, como discípulo de Cristo, não apenas aquilo que eu faço, mas aquilo que eu sou, aquilo que está dentro do meu coração, é importante.

Daí, meus irmãos, a partir do capítulo 5, verso 17, quando Ele fala sobre a Lei, a tônica de Jesus parece a mesma. Ele vem mostrar ou vem se preocupar com as intenções do coração. O que não pode ser visto pelos outros, mas está dentro de nós. Eu tratei com os irmãos aqui nos últimos domingos que eu preguei — trouxe duas mensagens no capítulo 5: "O espírito da lei parte 1" e "O espírito da lei parte 2". E nessas mensagens, é algo muito parecido com o que vamos tratar hoje. Ainda que Cristo mude a ênfase, a tônica é a mesma: o que está no meu coração importa. É significativo.

Cristo, meus irmãos, ao ensinar os seus discípulos, a intenção dele é repreender a justiça ou a retidão dos fariseus. Esse longo discurso que Mateus coloca aqui tem um grupo o qual Cristo estava diretamente combatendo, que eram os fariseus: a incompreensão deles da lei. E Cristo, portanto, estava trazendo e colocando tudo no seu devido lugar.

Observe, no verso 20 do capítulo 5, aparece uma palavra: "Porque vos digo que se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus." No capítulo 6, no verso 1, nós encontramos a mesma palavra: "Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens". A palavra usada é a mesma, seja aqui na nossa tradução, seja no original. Mas a ênfase é diferente.

Enquanto no verso 20 Cristo vai tratar de uma justiça moral (porque ele vai tratar de bondade, amor, pureza, homicídio, adultério, juramento, vingança), a partir do capítulo 6, o que Ele vai tratar tem a ver com uma justiça religiosa, porque Ele vai tratar de esmolas, oração e jejum.

Ou seja, a tônica é a mesma. Cristo está preocupado com a minha moralidade, não apenas aquilo que eu faço, mas com aquilo que está no meu coração. Ele está preocupado não apenas com o tipo de culto que eu celebro, mas também com a intenção do meu culto. Daí então, a ênfase agora muda. Ele sai da justiça moral para entrar agora numa justiça religiosa.

Isso pressupõe que a vida cristã é um conjunto onde todas as áreas são importantes. E é aqui que a gente precisa começar a quebrar alguns meios, ou algumas ações e atitudes que não são cristãs e não são bíblicas. Deus não está interessado apenas numa parte do que eu sou, ou apenas num lugar, ou apenas numa ação, mas toda a vida importa. Todo o conjunto da minha vida importa. Seja a minha retidão, a minha justiça moral, sejam os meus relacionamentos, a maneira como eu trato as pessoas, como eu convivo com elas; seja também o meu culto.

É por isso que, como disse aqui a Fran, aqui estamos no momento de culto solene, mas o culto transcende esse momento, pois fora daqui também importa. Se antes Cristo tratou de uma vida fora do culto (homicídio, adultério, vingança), agora Ele reduz para essa vida do culto, para essa vida religiosa. Então esse conjunto importa. Todas as nossas áreas. Tudo importa para Deus. Mas como eu disse, a tônica é a mesma: as intenções do coração.

Quem está vendo?

Daí, nessa noite, eu quero pensar com os irmãos um tema: Quem está vendo? É uma pergunta. Quem está vendo as suas ações e o seu coração? Ou em outras palavras: com quem você está preocupado? Aquilo que as pessoas vão dizer, com medo de esconder porque alguém que você ama não pode ver os seus pecados? Ou você quer fazer para que alguém diga: "Olha, como você fez bem feito"? É preciso que a gente pense: quem está vendo?

Observe comigo o texto. Eu vou do verso 1 até o verso de número 8. Depois eu vou dar um salto do verso 16 para o verso 18. E vou tratar a oração do Pai Nosso numa próxima ocasião.

O texto diz: "Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens" — justiça aqui religiosa, retidão — "com o fim de serdes vistos por eles. Doutra sorte não tereis galardão junto do vosso Pai celeste."

Então Cristo já começa o seu discurso trazendo o lugar para onde Ele quer trazer os seus discípulos. Observe. Quem você quer agradar? Por quem você quer ser visto? De quem você quer receber a recompensa? Que galardão você quer? Dos homens ou de Deus? A quem você está servindo?

Cristo então traz o discurso para o lugar certo. Ele diz: "Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens com o fim, com o objetivo, com a finalidade de aparecer para eles. Doutra sorte não tereis galardão junto do vosso Pai celeste."

Aí Cristo vai trazer três exemplos de três realidades religiosas. Ele vai falar da esmola, da oração e do jejum.


1. A Esmola (Caridade)

Agora pense e olhe o texto. Verso 2:

"Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita. Para que a tua esmola fique em secreto e teu Pai que vê em secreto te recompensará."

Veja, Cristo não está condenando a esmola, nem a oração e nem o jejum. Essas práticas eram comuns no meio dos judeus, e era esperado que os discípulos de Cristo fizessem isso também. Ainda que o Evangelho diga que os discípulos não jejuavam enquanto Cristo estava aqui, não é uma prática que as Escrituras dizem que nós não devemos fazer. O fato é que é uma prática comum que deveria fazer parte do cotidiano da vida cristã.

Mas o que Cristo está querendo mostrar quando Ele fala de esmola, ou de caridade — e aqui Ele não está falando de dízimos ou ofertas, mas de ajudar o próximo —, o que Ele quer mostrar tem a ver com a intenção do coração. Pois aqui Ele usa uma palavra muito forte quando Ele fala assim: "não toques trombeta diante de ti como fazem os hipócritas" nas sinagogas e nas ruas. Aqui Ele está fazendo uma severa advertência, exatamente para os fariseus que eram religiosos falsos, que viviam de casca, mas que queriam de fato aplausos e não compreendiam a quem serviam.

"Em verdade vos digo que já receberam a recompensa." Que recompensa é essa? O texto pressupõe claramente que a recompensa são os elogios dos homens. É isso que você quer? Então será tua recompensa. É isso que Cristo está dizendo para esses fariseus e para os seus discípulos. Que recompensa você quer? É ser elogiado pelos homens? Pronto. Então você vai ser elogiado pelos homens. É só isto. É aqui que está e aqui fica.

Mas Cristo diz: "Eles são como hipócritas." Essa palavra hipócrita, lá no seu começo, ela não tinha um conceito muito pejorativo. Aí com o passar do tempo ela foi criando esse conceito. Nas primeiras versões era a ideia do orador, depois virou o ator. E em alguns tempos os atores não representavam com cara limpa; eles mudavam as máscaras. E essa palavra então começou a se tornar um símbolo, um termo pejorativo. Uma pessoa hipócrita é alguém que usa máscaras. E usa máscaras de acordo com o lugar, de acordo com a pessoa que está, o ambiente em que se encontra. Porque é alguém que não é sincero.

E nesse caso específico aqui, Cristo vai dizer: "Tu, porém, ao dares esmola ignora a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita. Para que a tua esmola fique em secreto e teu Pai que vê em secreto te recompensará."

Perceba, irmãos — e aqui eu faço uma ressalva apenas — que todo "secreto" aqui do texto está apontando para um elemento específico. Porque lá atrás Cristo diz: "Vós sois sal e vós sois luz." Portanto, há um lado da nossa vida cristã que tem que ser pública, que as pessoas precisam ver em nós. Há ações e atos e práticas que têm que ser públicas. A sua fé tem que ser pública. As pessoas precisam ver em quem você acredita e quem é de fato o Senhor da sua vida.

Mas isso não tem a ver com aquilo que Cristo está dizendo aqui. Pois aqui Ele está falando do coração, das intenções. Quando alguém diz: "Olha a mão esquerda, o quanto a mão direita está dando para o pobre", o que você está querendo? A não ser um elogio. E é nesse sentido que Cristo então chama aqueles fariseus de hipócritas. Porque eles queriam transparecer uma espiritualidade que eles não tinham.

É por isso que a advertência é: "ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita". Porque a finalidade das tuas ações é para glorificar o Pai que te vê em secreto, que sabe das suas intenções, que conhece o seu coração. Que sabe exatamente o que está dentro de você. E é Ele que importa. Porque Ele diz: "Quando você dá esmola esperando o elogio das pessoas, ótimo, você vai receber o elogio delas. Mas essa, e somente essa, será a sua recompensa." Mas quando eu, sendo um servo de Deus, quero de fato entender a realidade, é Deus que importa. E Ele vai ver no meu coração as minhas intenções.


2. A Oração

A mesma ideia acontece com as orações. Versículo 5:

"E quando orardes, não sereis como os hipócritas, porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto e teu Pai que vê em secreto te recompensará."

A ideia é a mesma da esmola. Aqui não há uma acusação para a oração pública. Nós oramos de maneira pública. Não é essa a ideia. O que Cristo está condenando aqui é o mesmo espírito de dar esmola com a intenção errada. Sabe esse conceito de mostrar espiritualidade? O texto diz: "Os fariseus ficavam em pé para serem vistos pelos homens." As suas orações eram longas, exageradas. Porque eles queriam demonstrar uma espiritualidade que eles não tinham. Por isso Cristo os acusa de hipócritas. Ali era só casca. Era só uma figura de alguém que queria aparentar ser espiritual, usando belas palavras e uma linguagem, mas que não estava no coração.

Aí Cristo diz: "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto." É claro, como eu disse, tem orações públicas. Mas tem as orações em secreto.

E aqui é um detalhezinho do texto que não pode passar sem que a gente perceba a profundidade. A expressão "quarto" usada aqui no seu original traz uma ideia interessante. O conceito grego usado aqui é a ideia de um quarto que tem um local de bens preciosos. Então Cristo utiliza uma palavra que traz um sentido fantástico. Quando você vai para o seu quarto, quem está te vendo? Ninguém. Mas ali é um lugar precioso porque a grande Preciosidade está com você ali, que é Deus. A Pessoa que importa está te ouvindo, está atenta ao teu clamor, está atenta às suas orações, está atenta às suas sinceridades.

Volto a dizer, isso não é contra a oração pública. Mas é contrário ao tipo de motivação pela qual eu oro. Eu publiquei uma frasezinha que eu achei interessante esses dias: que Deus está interessado não em palavras bonitas, mas no coração sincero. É a sinceridade do meu coração que importa. E quando eu entro no quarto onde o meu tesouro está lá, porque Deus está lá me ouvindo e me escutando, ali eu sou recompensado. E a recompensa que o texto pressupõe é a própria presença de Deus.

Daí a ideia da oração aqui... Não é também que não possa ser feito nada público — já volto e já disse novamente, sal e luz — mas aqui a intenção é o coração, a motivação. Que recompensa você quer? Elogio dos homens, porque você fez uma bela oração? Ou uma oração sincera e verdadeira, que agrada ao Senhor?


3. O Jejum

E aí Ele continua, verso 16:


"Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai em secreto, e teu Pai que vê em secreto te recompensará."

A ideia é lógica. É claro que o jejum faz parte e deve fazer parte da piedade cristã, assim como a caridade, assim como as orações. Mas do mesmo jeito que a caridade, do mesmo jeito que a oração, o jejum precisa fazer parte do mesmo espírito. Pois Ele diz: "o Pai que vê em secreto te recompensará".

Por isso Ele diz: quando você entender que deve jejuar para a santificação, para mortificar a carne e de fato o pecado, quando você se coloca diante de Deus para consagração, não há uma necessidade de você desfigurar o seu rosto para que as pessoas olhem e digam assim: "O que foi, meu irmão?". E você diga: "Ah, eu estou de jejum". Não há nenhuma necessidade dessa questão, porque não é para o outro. Não é para alguém ver e dizer: "Nossa, como o fulano de tal é piedoso porque está jejuando". Não. Ele diz: o que importa é quem está vendo o seu coração, que é Deus. "Com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim a teu Pai em secreto e teu Pai que vê em secreto te recompensará."

Essa é a lógica que Cristo trata aqui. Tem a ver, portanto, com uma justiça religiosa, e que a ênfase, a tônica, é como que está de fato o meu coração. A quem ou de quem eu espero a recompensa? Dos homens? E eu disse, e o texto diz, se é dos homens, dos homens você vai receber, mas não do Senhor. O que Cristo quer mostrar é exatamente essa dinâmica clara de que é do Senhor a recompensa que tem sentido, porque é do Senhor o elemento precioso.


Duas Lições Importantes


Daí, queridos, se isso ficou claro para os irmãos, eu quero trazer duas lições apenas e, a partir disso, algumas rápidas aplicações.


Primeira lição: 

Diante dessa abordagem toda que aqui esbocei para vocês, uma lição que resume essa ideia é, em primeiro lugar, preste bem atenção: Cristo nos ensina que práticas corretas também precisam de motivações corretas.

Está claro isso? Cristo nos ensina que práticas corretas também precisam de motivações corretas. Esmolar, orar, jejuar é certo; todos os crentes precisam entender que devem fazer parte da piedade cristã. Porém, todavia, eu tenho que ter a consciência que o ato em si não é suficiente diante de Deus, porque a ação correta tem que estar atrelada à motivação correta.

E é claro que a motivação só o Senhor consegue ver, mas eu e você temos que ter a noção de que, uma vez que a minha motivação está errada, a minha recompensa são os homens, e não o Senhor. Porque Deus não se comove simplesmente porque eu faço, mas o porquê eu faço faz diferença. A caridade que você dá, a esmola que você dá, a oração que você faz, o jejum, ou qualquer outro serviço religioso que você possa fazer... Não importa simplesmente a ação, mas importa também a motivação.

Eu não estou aqui pregando o que me traz aqui no púlpito, que você chegue lá e me dê um tapinha nas costas e fale: "Pastor, que pregação maravilhosa". Por acaso eu quero elogio de vocês? É isso que me faz estar aqui? Se isso está aqui, está errado. Porque se estou fazendo a coisa certa, cumprindo o meu chamado, a motivação está errada. Se alguém está aqui cantando e tocando, o que espera? É elogios? Ainda que eles possam vir, mas não é essa a ênfase, a tônica que Cristo quer nos chamar a atenção. Ele quer mostrar claramente que as minhas ações importam, sim (eu sou chamado para fazer), mas as minhas motivações importam. Elas são importantes e necessárias, porque quem mais importa? Somente Ele pode ver onde ninguém vê: o coração.

E aí você pode ter uma performance maravilhosa digna de todos os elogios, e Deus vê e diz: "Nada disso me agradou". Você lembra de uma história bíblica de dois irmãos lá no começo de Gênesis? Fala de Caim e Abel. O texto diz que Caim era um lavrador e, portanto, ele pegou ali das suas agriculturas e fez um sacrifício a Deus. Abel pegou das primícias do seu rebanho e fez um sacrifício a Deus.

Muitas pessoas dizem: "Ah, Abel foi aceito porque sacrificou um animal." Não, não havia nenhuma lei que exigia isso. Tanto que lá no futuro havia algumas leis que eram em forma de mantimento. O texto é muito claro em dizer que a diferença de Caim e Abel estava no coração, não estava na ação. Porque ambos sacrificaram. Ambos tiveram uma ação. Mas Deus viu o coração e foi o coração que importou, não o ato, porque ambos fizeram a mesma coisa. Ambos foram para um culto e ambos foram sacrificar. Mas Caim não foi aceito, porque o seu coração não estava em Deus.

É por isso, meu querido, que nós precisamos ter a plena consciência que Cristo, de fato, nos ensina que prática, que ações, que exercer os nossos dons e ministérios é fundamental, porque Deus nos deu dons. Mas a motivação por que eu exerço os meus dons importa também. Porque Deus vê o coração.


Segunda lição

Queridos: A recompensa que alcançamos com nossas ações ou será a glória dos homens ou a presença de Deus.

Aí eu faço uma pergunta retórica: o que é mais importante? A resposta é óbvia, qualquer cristão médio vai responder: a presença de Deus. É um fato. Isso é lógico. Mas glórias humanas nem sempre são verdadeiras. Os elogios nem sempre se conversam, porque nem sempre eles vêm do coração. E mesmo que venham, o que importa no serviço a Deus não é o que as pessoas vão dizer de você ou sobre você, mas o que importa é Aquele que vê em secreto, olha o seu coração e vê exatamente a sinceridade e a honestidade pela qual você exerce os seus ministérios, os seus exercícios, os dons que Deus tem dado.

Portanto, é preciso que a gente entenda que alguma recompensa você vai ter. Pode ter certeza. A tua motivação vai determinar uma recompensa ou outra. A diferença é de quem virá: se vai vir dos homens ou se virá de Deus. E eu digo que a de Deus é melhor. É o correto. E é o lugar que o nosso coração precisa estar.


Quatro Aplicações

Daí eu quero concluir essa mensagem e eu quero trazer quatro aplicações. Quero desafiar você a pensar à luz do texto que eu tenho exposto aqui.


1. Trabalhe seu coração para que, no serviço de Deus, você se importe em ser fiel a Ele, mesmo que isso não traga elogios.

Continua prestando atenção: trabalhe seu coração. Não permita que o seu coração se ressinta, pois o ressentimento é pecado. Pode ser de novo. Meu amado irmão, Deus te deu dons e ministérios. Fazer é necessário, isso agrada a Deus. Mas a motivação é importante.

Trabalhe o seu coração, porque é lá no seu coração que estão as motivações. Para que quando você serve a Deus, você e eu tenhamos a plena consciência que o que realmente importa é que a gente seja achado fiel. Ainda que isso não nos traga nenhum elogio. E se não vier nenhum elogio, não ressinta o seu coração. Pois o ressentimento é pecado. Pois se eu faço algo esperando o elogio, e o elogio não vem, o meu coração se ressente. E eu me sinto injustiçado, porque não recebi elogio. E isso é pecado. É por isso que a gente precisa ser honesto e trabalhar o próprio coração. Eu tenho que trabalhar o meu coração em Cristo, para que eu entenda que tudo que eu faço é para Ele. É para Ele.

Queridos, eu ouvi uma mensagem lá no seminário — o Luciano também, reverendo Luciano também escutou — do secretário nacional de apoio pastoral. Ele pregou na segunda carta de Paulo a Timóteo. E foi uma palavra que mexeu muito com o meu coração. Ele fez todo um contexto da carta falando para pastores. Aquela é uma carta escrita para pastor. Pastor prega aquele texto para a igreja, mas aquele texto ele é para pastores. E Timóteo parece que estava angustiado de enfermidades, era tímido, e tinha um grande desafio que era pastorear uma igreja muito complexa.

E a palavra de Paulo parece muito dura. Porque Paulo diz: "Nos últimos tempos, os homens serão assim mesmo, Timóteo. Ingratos, desobedientes aos pais. Não pense que você vai pregar e todo mundo vai entender e vai aceitar. Não pense isso, Timóteo. Não iluda o seu coração de que vai ter pessoas que vão se levantar contra você, porque vão se levantar contra você."

O que o pregador quis mostrar pregando a carta de Paulo é que Paulo disse para Timóteo: "Timóteo, o que importa é que no final você faça aquilo que Deus te mandou fazer. E aquilo que Deus te mandou fazer vai cumprir o seu propósito." Pois se nós exercermos algo esperando alguma coisa em troca, há um grande risco de ressentimento. É por isso que nós precisamos trabalhar o nosso coração. Trabalhe o seu coração, queridos. Entenda que o que importa para mim e para você como crente é que no final Deus diga de mim e de você: "Você foi fiel".


2. Não trabalhe buscando elogios.

Não exerça o ministério, não exerça os seus dons esperando elogios. Se eles vierem, glorifica a Deus. Aponte para o Senhor. Se não vierem, como eu disse, não se ressinta. Trabalhe para a glória e louvor de Deus e para a sua comunhão com o Senhor. É para isso que nós trabalhamos: para que Ele seja glorificado e que nós de fato tenhamos comunhão com o nosso Deus.

Mas não exerça o seu ministério esperando que as pessoas reconheçam o seu trabalho. E se tiver que reconhecer, vão reconhecer. Mas não pode ser essa a motivação que nos move no serviço. Porque fatalmente ficaremos ressentidos, porque fatalmente em algum momento seremos criticados, zombados, rejeitados e não aceitos. Mesmo quando estivermos fazendo tudo aquilo que é correto. Porque de fato não importam os elogios dos homens; o que importa é que sejamos fiéis. E se eu espero elogios, eu estarei amargurado.

Deixa eu dizer outra coisa que envolve pastores. O Rev. Samuel Vieira, que está deixando o seminário, foi homenageado ontem lá na formatura, onde o John e o Júlio se formaram. Na última pregação dele lá no seminário — eu convidei para que ele pudesse pregar — ele citou uma experiência interessante. É um cara de 65 anos. Mais de 40 anos de ministério e tudo mais. E ele foi convidado por um pastor de Campinas para trazer uma palestra para pastores. Como ele talvez esteja cansado dessas viagens, ele falou assim: "Ricardo (que é o pastor que chamou), que pastor por aí, chama ele, tal." Aí ele falou assim: "Samuel, eu estou chamando você porque você tem sido um dos casos raros de pastores que chegam nessa idade e com esse tempo de ministério com o coração alegre. A maior parte dos pastores tem chegado amargurada, doentes e reclamando do ministério que viveu."

Samuel disse: "Como eu tenho labutado com o meu coração para que o ministério não me amargue. Porque afinal de contas fui chamado para quê? Para ser fiel." E ele trouxe essa experiência para mostrar que, pela graça de Deus, é um homem de 65 anos, um homem na verdade que tem vivido aí há 40 anos no ministério e tem conseguido finalizar com o coração alegre. E talvez o grande segredo é entender que sou chamado para o serviço. Porque se eu trabalhar esperando que as pessoas me elogiem, há uma grande possibilidade de terminar o coração amargo e ressentido. E volto a dizer, esse ressentimento ele é pecado. Portanto, trabalhe o seu coração, mas não trabalhe buscando elogios. Não é esse o nosso propósito, queridos.


3. Molde o seu coração pelo evangelho da cruz.

Molde o seu coração pelo evangelho da cruz. É Cristo o nosso referencial. É Cristo o nosso paradigma. É Cristo o nosso modelo. O seu evangelho tem que nos transformar todos os dias. Paulo vai dizer isso na carta aos Filipenses: "Tenha em vós o mesmo sentimento que teve em Cristo. Que sendo Deus, deixou de manifestar a sua glória e não agiu como tal. Ele esvaziou-se e agiu como um servo, sendo todo-poderoso."

É esse evangelho que deve moldar o meu coração. Eu sou chamado para o serviço. E Cristo é meu paradigma. Cristo é meu modelo. Cristo é minha referência. O título que eu tenho, o ofício que eu exerço, não pode gerar no meu coração nenhuma outra coisa a não ser humildade, simplicidade, mansidão e convencimento e graça de que fui chamado por Ele para servir.

Quando eu na verdade não entendo isso e não sou moldado por esse evangelho, eu uso dos dons e talentos para que as pessoas me vangloriem de alguma coisa. Quando isso está completamente errado. Molde o seu coração pelo evangelho de Cristo. Ele é o nosso paradigma. Ele é o nosso modelo. É Aquele que foi ferido na face e deu a outra. É Aquele que nos ensina que de fato se alguém te obrigou a andar uma milha, ande outra. Pegou a capa, dê também a túnica. Porque o que importa é que Deus seja glorificado. Se for necessário engolir sapos e rãs, engula. Se for isso para glorificar a Deus, faça. Mas a grande questão que o nosso coração tem que trazer é que o evangelho é que tem que me moldar. Porque Cristo é o meu modelo. Cristo é o meu paradigma. Não são estes ou aqueles.


4. Sonde, honestamente, o seu coração e as suas motivações.

Sonde, honestamente, o seu coração e suas motivações. Quando a gente é sincero e honesto, a gente sabe por que está fazendo as coisas. Por que que a gente está fazendo as coisas? E muitas vezes nossas ações são para esperar um tapinha nas costas. É para esperar um elogio no final do culto. Mas quando eu sou honesto diante do Senhor e eu sondo o meu coração e percebo que as minhas motivações também importam, algo começa a mudar em mim. Algo começa a ser transformado em mim.

Se tem alguém, irmãos, que é capaz de olhar dentro do coração, além de Deus, é você mesmo. É por isso que a gente não pode se encantar com tantos elogios. Porque ele pode ser falso. Nunca se esqueça disso. Por outro lado, muitas das suas ações podem ter a motivação errada. Ela pode ter a intenção errada. É por isso que, como discípulo de Cristo, a mudança acontece de dentro para fora.

E se além de Deus é capaz de olhar o seu coração, você também é capaz. Olhe o seu coração. Olhe o seu ressentimento. Olhe as suas cobranças. Olhe o seu julgamento. Tudo isso vai mostrar exatamente o que está lá e o que tem que ser tratado, que tem que ser resolvido, que tem que ser refeito. Mas esse é um exercício que necessita de honestidade, de profunda sinceridade, dentro do nosso coração.

Que Deus nos ajude, irmãos. E que a Sua graça nos molde todos os dias. Aqui a gente se pareça mais e mais com Cristo. O Filho de Deus. Amém?

Vamos cantar uma canção? Convido a equipe de louvor. Vamos cantar essa canção fazendo dela uma oração ao Senhor. Se você puder ficar em pé, vamos nos colocar em pé. Nós iremos orar para finalizarmos esse culto. Saia daqui com seu coração convicto de que Deus está muito interessado naquilo que você faz, mas também está muito interessado naquilo que está no seu coração. Dentro do seu coração e dentro da sua alma. Temos aqui uma criança... É preciso que o seu coração se volte para o Senhor.

Queridos, já foi. Queridos, que o seu coração se volte para o Senhor. Seja honesto. Olhe para dentro do seu coração. Porque Deus está olhando para dentro do teu coração. E isso importa. Vamos orar?

"Pai, em nome de Jesus, obrigado pela Tua bondade. Obrigado pela Tua graça. Obrigado pela Tua palavra. Essa palavra nos desafia, ó Deus, a sairmos desse universo de uso de máscaras. Cristo chama os fariseus de hipócritas. E quantas e quantas vezes nós agimos assim também. Fazemos coisas com intenções completamente fora do Teu propósito. Errados. Com a motivação equivocada. Portanto, ó Pai, em nome de Jesus, eu rogo ao Senhor que Teu Espírito aplique essa palavra em nossos corações. E sejamos convencidos, transformados, refeitos, confrontados com essa verdade. Ó Deus, nos motive e toque em nós para que nós trabalhemos o nosso coração todos os dias. Que nós nos perguntemos honestamente a motivação por que a gente exerce os nossos ministérios, os nossos dons, os nossos serviços na igreja e no reino. Para que nós tenhamos a plena convicção de que estamos fazendo com a motivação certa. Que é glorificar o Senhor, que é adorar o Senhor, que é exaltar o Senhor. Trabalhe em nós, ó Deus, para que o nosso coração não viva à espera de elogios. Pois quando eles não vêm, a nossa alma se amarga e ficamos ressentidos e dessa forma pecamos. Pois estamos esperando uma glória que não é nossa, é Tua. Portanto, age em nós, ó Deus, para que nós compreendamos que somos discípulos, somos servos. Somos aqueles que foram chamados para servir. Refletimos a luz, mas a luz é Cristo. Tu és o poder, Tu és a verdade, Tu és o caminho e nós nos alegramos em sermos servos, em sermos discípulos. Em sermos aqueles que são chamados para a obra. E que nós façamos, ó Deus, com a motivação certa.Abençoe Teu povo aqui. E aplique essa palavra nos seus corações. Peço, ó Deus, pela semana que começa agora, que o Senhor acompanhe cada irmão para suas casas. A semana de trabalho, que Tu fortaleça a fé, encoraje os corações. Aqueles que têm vivido os dias difíceis de lutas, que o Senhor fortaleça a sua fé, a sua esperança, o seu ânimo, ó Deus. Se aqueles que estão meio que perdidos na jornada cristã, que Tu os traga de volta para o caminho.Continua insistindo, ó Deus, pela vida do seu Adão, nosso irmão Adão. Que Tu cumpra na vida dele a Tua vontade, o Teu querer. Rogue por ele a Tua graça. Pela sua família também. E que todos nós, Pai, sejamos visitados pelo Senhor e tenhamos uma semana na Tua presença. Para quando voltarmos aqui no próximo domingo, possamos voltar já cheios. Cheios do Teu Espírito. Para que esse culto continue cheio. Para a Tua glória e para o Teu louvor. Assim nos abençoe e derrame sobre nós abundantemente a Tua graça. Em Cristo Jesus. E agora, meus irmãos, que a graça do Senhor Jesus e o amor de Deus, o nosso eterno Pai, e as eternas consolações do Santo Espírito de Deus estejam conosco. Hoje e para todo o sempre. Amém.

 
 
Igreja Presbiteriana
Novo Horizonte

Av. Domiciano Peixoto, Qd. 16, Lt 16 

Jardim Vila Boa, Goiânia - Goiás

74.363-770

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